quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Recomeço

Kene



Uma das casas da aldeia foi reservada para uso coletivo de todas etnias, especiamente para cozinhar. além das carnes, especialmente peixes, o uso da mandioca era comum a todos os que cozinhavam ali. Base da alimentação de boa parte dos povos que habitavam a América antes das chegada dos europeus, a mandioca até hoje está presente em boa parte da culinária brasileira.

Este vídeo mostra uma índia kalapalo preparando o kene, tipo de massa a base de mandioca, que é comida junto com peixe.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Futebas

Datsipado



Datsipado é uma dança de cura, que procura recuperar a saúde de algo ou alguém que a perdeu. Na abertura do evento todas as etnias desfilaram na praça da Okara, e esta foi a dança do povo xavante. Tendo visitado a marginal do rio Tietê, quiseram dar sua contribuição para a cidade que encontraram. Como o pajé guarani, enxergam futuro na cidade, enxergam vida no caos paulistano, e indicam caminhos possíveis.

Essas imagens foram feitas pelo xavante José Flávio Siwatse, que participou ativamente da oficina e também é autor das imagens publicadas aqui anteriormente no vídeo Bênção.

dançando



Entre a proteção dos pajés e a vigilância dos bombeiros, o vento, o fogo e o acaso transformaram a aldeia no coração do evento. E a potência desse acontecimento contribuiu para encher de cores, sons, vozes e movimentos a tranquilidade cotidiana inicialmente desejada para a aldeia.

Essas imagens são fruto desse fortuito encontro entre a implacabilidade do imprevisto e a beleza da mudança. As danças e cantos que passaram a acontecer na aldeia se mesclavam com o som das pessoas comprando artesanato, das crianças correndo e brincando, dos chiados rádios e dos tratores da organização. A força do ritmo da dança e do som se impõe mas não escapa do ambiente em que acontece. Da mesma maneira a câmera, que se por um lado mergulha no tempo e no movimento daquilo que olha, por outro não consegue escapar da presença de elementos diversos, estranhos como ela, impondo ruídos na nova dança que nasce entre observador e observado.

São imagens-vestígio do olhar do xavante Parinai'a sobre a dança dos índios xinguanos performatizada na maior metrópole sulamericana. Sobreposições sucessivas de olhares estrangeiros, potência de vida nascida do estranhamento e do encontro.

Wêdi



Durante os 5 dias de encontro, constantemente era preciso driblar as barreira levantadas pelos (pelo menos) seis idiomas falados ali. Com o tempo, muitas das palavras que invadiam os ouvidos se destacavam do corpo mais ou menos homogêneo dos sons criados pela mistura das vozes presentes. Aos poucos ficavam mais claras para o ouvido as diferenças entre os idiomas (da mesma maneira as diferenças das roupas, dos corpos, dos temperamentos, dos gestos).Mesmo assim, quase tudo se resolveu apesar disso, criando-se sentidos por outros caminhos que não o entendimento das palavras.

Este vídeo procura mostrar um pouco desse aspecto, onde a comunicação aconteceu mesmo com tantas línguas faladas, onde os melhores intérpretes foi a disposição do encontro e da troca.

domingo, 22 de novembro de 2009

Artesanato do Povo Karajá



Os Karajá habitam a maior ilha fluvial do mundo, a Ilha do Bananal, que fica no Rio Araguaia, em Tocantins

Neste vídeo, foram filmados os diversos tipos de artesanato que fabricam: cerâmicas, palha, madeira, cascos de tartaruga

A sonorização foi cantada especialmente para o vídeo

sábado, 21 de novembro de 2009

Benção



No segundo dia do Encontro Okara, recebemos a notícia de que a irmã do pajé xavante Matias havia falecido em sua aldeia, na T.I. São Marcos. Na mesma noite, os Xavante guardaram luto, não sairam de sua casa, não participaram da festa na Aldeia.

Ontem, enquanto capturavamos imagens da camera de José Flávio Siwatse Xavante, encontramos uma filmagem de um ritual realizado pela pajé terena Miguelina. O neto dela, Dinik Osel Terena, apareceu no laboratório de vídeo e nos explicou, sua avó avia realizado um ritual para o pajé Matias, para aliviar a perda da irmã.

A filmagem foi realizada dentro da casa Xavante, e o ritual contou com a presença de representantes de todas as etnias aqui presentes.

Tenonde Porã



Tenonde Porã é um depoimento de um pajé guarani, uma mensagem para o futuro. Dirigido por Lizio, o líder dos guarani aqui em Okara, representante do cacique que não pode vir, e filmado pelo jovem Alexandre, foi gravado poucos minutos antes de um grande temporal.

Quando a chuva chegou, nos refugiamos na casa guarani. Fui convidado para uma entrevista, fumamos cachimbo. Lizio me perguntou o que eu achava do Rio Tietê, se era possível com a tecnologia e o conhecimento dos brancos salvá-lo. Após uma longa resposta, ou tentativa de resposta, da minha parte, Lizio foi direto, disse que acreditava que o rio poderia ser salvo sim e, mais, que nunca morreria. Pedi explicações. Simples, se ele já sobreviveu até agora, demonstra que é mais forte do que a capacidade de destruição dos brancos.

Ao invés de agonia, diz que vê esperança correndo em suas águas.

Jamurikuma



Ontem de tarde, depois da chuva, enquanto tratores e homens do Sesc trabalhavam para evitar que a água das próximas chuvas entre nas casas da aldeia, os kalapalo convidaram todos a fazer uma grande roda. Nos posicionamos em frente a saída da casa kalapalo, a casa xinguana, como dizem todos os outros índigenas aqui em Okara. No meio da roda, as mulheres kalapalo dançaram Jamurikuma.

Segundo vídeo realizado por Teúe "Viola" Kalapalo, um dos colaboradores mais entusiasmados do Dispositivo de Visão.

Cachimbo

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Na aldeia Sesc (Guarani Terena Xavante)



Resultado da primeira experiência direta com a câmera, este vídeo é o resultado do primeiro ciclo completo de produção proposto para o encontro. Um grupo de garotos guarani e terena passaram o dia filmando o segundo dia do evento, primeiro com a presença de público da cidade durante o dia. Passaram por diversos formatos, ficção, entrevistas, observações. Durante a noite vieram ajudar na montagem, explicando como gostariam que o vídeo fosse.

Viagem



No decorrer da oficina, aconteceu uma certa divisão entre os participantes. Havia a maioria, aqueles que gostavam de mexer na câmera, filmar o que viam. E também uma minoria, aqueles que queriam usar o computador montar os vídeos. Esses foram bem poucos, e também os mais assíduos. Um deles foi o Teué, que chegou dizendo querer fazer filmes, e ofereceu suas imagens para começar. Disso nasceu o primeiro vídeo realizado na oficina, que mostra o registro da viagem de ida da aldeia até São Paulo.

Dispositivo de Visão: Experiência de econtro entre máquinas e olhares

O Encontro OKARA é um encontro que propõe encontros. Encontro da cutlura do banco com a do índio, encontro da cultura humana em suas variações com a Natureza.

O que estabelece a possibilidade de encontro entre as diferentes culturas é o ato, a capacidade e a função social que a comunicação desempenha para todas elas.

Comunicação como condição de possibilidade de socialidade, substrato de interação social. A relação okara-fórum-praça, conecta a noção de encontro da fala de iguais, ou de iguais em sua fala, a matriz greco-romano e a matriz tupi-guarani.

Porém, o objetivo do encontro é o de disparar e estimular processos de aprendizagem reflexiva em relação à interação humana com a natureza, admite que existe uma cultura que optou pela natureza (as culturas indígenas) e uma que optou pela não-natureza (a branca) e aponta que a cultura indígena é portadora de importância fundamental para a revisão de nossos modelos de desenvolvimento em relação coma Terra.

Portanto, é um encontro que busca estimular o encontro entre diferenças para que diferenças sejam produzidas, pois ainda é preciso se lutar pela a condição de convivência, ainda é preciso falar em tolerância, o Ibope mostra que a população ainda não possui qualquer relação positiva com a ancestralidade de sua prórpia cultura, e que nosso modelo de desenvolvimento é ineficaz, pois condena a possibilidade a continuidade da existência do próprio território.

Entendemos que as tecnologias de imagem são peça fundamental da relação cutlura-natureza uma vez que atuam na formatação de uma percepção do ambiente, são elas que permitem e não permitem o que se vê do mundo e da realidade.

Se o encontro assume que precisamos rever uma certa relação com a natureza, e admitimos que as tecnologias de imagem são fundamentais nesta relação, propomos fomentar a experiência do encontro entre tecnologias de imagem dos brancos e as tecnologias de imagem dos indígenas, entre máquinas e olhares diferentes, entre diferentes modos de produzir imagens, inscreve-las em um suporte e faze-las circular.

Proposta de trabalho

Propomos a instalação de um pequeno laboratório de edição de vídeo e a formação de uma equipe de captação de registros audiovisuais composta por técnicos brancos e indigenas visando a produção de pequenos videos e registros audiovisuais dos encontros que acontecerem no encontro. Os vídeos serão disponibilizados em um videoblog – um blog com vídeos embarcados e textos sobre os vídeos e os processos de realização.

Estratégia

Instalação de um pequeno laboratório de edição audiovisual equipado com dois computadores, um para captação das imagens, outro para edição, um deck para captura de imagens, um projetor e uma tela para permitir que os participantes do encontro acompanhem o processo de edição e assistam a exibição dos resultados.

Formação de uma equipe de captação de imagens e sons, composta por índios de todas as etnias, no mínimo um e os membros do grupo proponente, três pessoas, equipadas com duas câmeras para a produção dos registros.

Após a produção dos registros audiovisuais, as imagens serão trabalhadas na ilha de edição e, em seguida, publicadas no blog, acompanhadas da documentação em texto do processo de produção.

No encerramento do encontro organizaremos uma pequena mostra para exibição dos videos produzidos.

O grupo proponente se dispõe a pernoitar no local do evento, aproveitando a possibilidade de convivência com os indígena para estimular o trabalho da experiência de produção audiovisual, aproveitando também melhor o tempo, sempre muito caro nos processos de criação e edição audiovisual.