quarta-feira, 25 de novembro de 2009

dançando



Entre a proteção dos pajés e a vigilância dos bombeiros, o vento, o fogo e o acaso transformaram a aldeia no coração do evento. E a potência desse acontecimento contribuiu para encher de cores, sons, vozes e movimentos a tranquilidade cotidiana inicialmente desejada para a aldeia.

Essas imagens são fruto desse fortuito encontro entre a implacabilidade do imprevisto e a beleza da mudança. As danças e cantos que passaram a acontecer na aldeia se mesclavam com o som das pessoas comprando artesanato, das crianças correndo e brincando, dos chiados rádios e dos tratores da organização. A força do ritmo da dança e do som se impõe mas não escapa do ambiente em que acontece. Da mesma maneira a câmera, que se por um lado mergulha no tempo e no movimento daquilo que olha, por outro não consegue escapar da presença de elementos diversos, estranhos como ela, impondo ruídos na nova dança que nasce entre observador e observado.

São imagens-vestígio do olhar do xavante Parinai'a sobre a dança dos índios xinguanos performatizada na maior metrópole sulamericana. Sobreposições sucessivas de olhares estrangeiros, potência de vida nascida do estranhamento e do encontro.

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